Portugal é um dos países da Europa com maior prevalência de salários baixos e onde os trabalhadores têm maior dificuldade em sair desta situação. Um estudo publicado pelo instituto alemão IZA, especializado na análise do mercado de trabalho, concluiu que a economia portuguesa é aquela onde a probabilidade de um trabalhador ter um salário baixo é maior num conjunto de 12 países da União Europeia com dados referentes ao período 1994-2001.
O conjunto de países analisados incluiu os Quinze da União Europeia antes do alargamento a Leste de 2004, com excepção do Luxemburgo, Suécia e Finlândia. Salário baixo é definido como um vencimento inferior a 60% do salário médio nacional e que, no caso português, coloca a fasquia em redor dos €550.
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Em Portugal, segundo os dados do emprego divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), existem actualmente 147.800 trabalhadores que ganham menos de €310 líquidos por mês. O INE considera empregados todas as pessoas que tenham algum rendimento pelo trabalho ou ocupação - muitas vezes formação profissional - independentemente do seu valor mesmo que seja inferior ao salário mínimo nacional que este ano está fixado nos €450. Subindo a fasquia nos escalões salariais do INE, verifica-se que 1,429 milhões de trabalhadores levam para casa mensalmente menos de €600 líquidos. São cerca de metade dos trabalhadores por conta de outrém em Portugal.
Recorde-se que Portugal não tem, apesar de tudo, o salário mínimo mais baixo entre os países da União Europeia onde este limite existe, mas tem uma percentagem acima da média de trabalhadores a recebê-lo.
Os autores do estudo do IZA, Ken Clark e Nikolaos Kanellopoulos, estimam que a probabilidade de ter um salário baixo em Portugal é de 19,4%, contra valores muito mais baixos, por exemplo, na Bélgica (6,5%), na Itália (7,4%) ou na Áustria (8,4%). Espanha apresenta valores muito próximos com uma probabilidade de 18,8% (ver gráfico).
O mais preocupante é que a economia nacional não é apenas a que tem o maior risco de salários baixos entre as 12 analisadas. É também aquela onde é mais difícil sair desta situação. Clark e Kanellopoulos calculam que apenas cerca de um terço (35%) dos trabalhadores com salários baixos consiga no ano seguinte deixar de pertencer ao grupo dos 'mal pagos'. Ao mesmo tempo, 5,8% das pessoas que não têm salários baixos passam a tê-lo no ano seguinte.
Apenas os trabalhadores com formação universitária escapam a esta tendência lusa. Os portugueses com diplomas têm até a mais baixa probabilidade de auferir um salário baixo nos países estudados (1,5%). Pelo contrário, os portugueses com mais de 45 anos, com apenas o ensino primário ou os casados - três características que muitas vezes andam de mãos dadas - têm o maior risco.


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