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quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

FMI volta a rever em baixa previsões

O Fundo Monetário Internacional (FMI) voltou a rever em forte baixa as suas previsões para a evolução das principais economias mundiais, antecipando que a Zona Euro, na qual se insere Portugal, vai enfrentar uma recessão particularmente profunda e longa, atirando para 2011 o horizonte de uma retoma no Velho Continente.

Confirmando a acentuada degradação da conjuntura económica nos últimos meses, os novos números são os mais sombrios até agora divulgados, traduzindo “tesouradas” consideráveis nos valores que, há apenas três meses, haviam sido avançados pela instituição sedeada em Washington.

No caso da Zona Euro, é esperado um recuo do PIB de 2%, o qual será seguido por uma quase estagnação em 2010 (0,2%). Em Novembro, o FMI antecipava uma recessão menos cavada (-0,5%) e uma retoma menos tímida em 2010 (0,9%).

A Alemanha sobressai pela negativa: dos quatro países do euro para os quais o Fundo apresenta dados desagregados, é quem sofre a maior revisão em baixa, com a nova previsão a confirmar o pior cenário do Governo, de um recuo de 2,5%. Em 2010, a maior economia europeia e maior exportador mundial terá um crescimento residual de 0,1%. Destaque ainda para Espanha e Itália que, segundo o FMI, vão permanecer em terreno negativo nestes próximos dois anos, com recuos de 1,7% e 0,1%, e 2,1% e 0,1%, respectivamente.

Ainda que muito próximos, estes valores são mais negativos do que os antecipados há menos de duas semanas pela Comissão Europeia, que apontavam para uma contracção de 1,9% do PIB na Zona Euro (seguida de uma recuperação de 0,4% em 2010).

Na comparação entre as duas instituições, o FMI é mais pessimista quanto ao comportamento da economia alemã, e menos em relação, por exemplo, a Espanha, principal cliente das exportações portuguesas.

Tal como Bruxelas, o Fundo prevê, porém, que a economia vizinha, fundamental para alavancar uma recuperação em Portugal, seja das poucas (a outra é a Itália) que se manterá no “vermelho” também em 2010. Recorde-se que a Comissão Europeia prevê para 2009 uma contracção da economia portuguesa de 1,6%, o dobro do estimado pelo Governo, no pressuposto de uma contracção de 1,9% na Zona Euro e de 2% em Espanha.

Já os Estados Unidos – epicentro do “furacão” financeiro que lançou a economia global na mais severa recessão desde a II Guerra Mundial – deverão ressentir-se fortemente neste ano das ondas de choque lançadas sobre a economia real, tendo o Fundo, no curto espaço de três meses, mais do que duplicado a sua previsão de quebra do PIB (passou de -0,7% para – 1,6%). Em contrapartida, porém, a maior economia do mundo deverá regressar em 2010 a taxas de crescimento próximas do potencial (1,6%).

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