Jean-Claude Trichet, o presidente do Banco Central Europeu (BCE) manteve as taxas de juro inalteradas no mínimo histórico de 1% e afirmou que “estão no nível apropriado”, sem sinalizar alterações no curto prazo.
Esta foi uma decisão que não surpreendeu o mercado, uma vez que ficou em linha com o esperado pelos analistas contactados por diversas agências.
Retoma na Zona Euro só chegará em meados de 2010
O Banco Central Europeu acredita que a economia da Zona Euro só voltará a ter taxas de crescimento positivas em meados do próximo ano.
Os sinais de estabilização da economia que estão a sustentar o “rally” nas bolsas e a levar alguns analistas de mercado a acreditar numa retoma mais rápida do que o estimado até aqui, não encontram um eco muito vincado na análise do Banco Central Europeu.
O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, considera que o ritmo de degradação da economia será mais lento até ao final do ano, mas afirmou que está “muito cauteloso” quanto à retoma da economia, mesmo no próximo ano.
O responsável explicou que as projecções dos especialistas do eurosistema, apontam para que o primeiro semestre de 2010 seja de “estagnação e positivo na segunda metade do ano”. Ainda assim, lembrou que continuam a existir riscos, como a esperada deterioração do mercado laboral, que podem afectar a retoma. E deixou claro que as estatísticas de 2010 serão afectadas ainda pela contracção significativa herdada de 2009.
As novas estimativas do BCE apontam para uma contracção entre 4 e 5,1% (o que em termos médios significa uma queda de 4,55% do PIB real) este ano da economia da Zona Euro, o que representa a estimativa mais pessimista avançada até agora pelas instituições internacionais.
A inflação também irá continuar a abrandar e ser negativa “no curto prazo”, adiantou Trichet, reforçando que não prevê que um cenário de deflação se materialize. Questionado sobre se, apesar de tudo, os riscos de deflação aumentaram, Trichet afirmou: “permanecemos muito, muito alerta, mas não encontramos alterações significativas”.

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