Os feriados que Portugal comemora quarta e quinta feira e o de sábado em Lisboa podem dar um pequeno empurrão à economia nacional, puxando pelo consumo, especialmente da área dos serviços, defenderam economistas contactados pela Lusa.
O secretário-geral da associação de defesa dos consumidores DECO, Jorge Morgado, defendeu que a coincidência de o País festejar dois feriados em dias consecutivos e a capital celebrar o seu feriado municipal dois dias depois resultam num período favorável ao consumo de produtos de lazer.
"Isso pode constituir um pequeno balão de oxigénio", especialmente para as actividades ligadas ao turismo, da hotelaria à restauração, e ao próprio comércio, considerou Jorge Morgado.
Para este economista, num clima de crise associada à quebra do consumo, os aumentos de procura representam boas notícias para a economia.
O secretário-geral da DECO lembrou que para quem tem emprego e salário fixo a situação "nem é má", visto que os preços não têm aumentado substancialmente. Assim, é expectável que para um importante sector da população portuguesa os feriados que se aproximam resultem na realização de "férias cá dentro", acrescentou.
Também o presidente da Confederação do Comércio Português (CCP) alegou que, com "as exportações em baixa, o aumento da procura no mercado interno" tem impacto favorável na economia.
"Não há nada de negativo, pelo contrário" os feriados representam maior disponibilidade para o lazer e consumo, especialmente necessário em situações de redução de produção, adiantou José António Silva à Lusa.
A economista Paula Carvalho manifestou-se, por seu lado, pouco convicta de um importante impacto positivo de um crescimento de consumo induzido pelos dias de descanso, considerando que "para gastar é preciso ter o que gastar".
Estímulos ao consumo sem aumento da oferta nacional não se traduzem em crescimento económico, mas em agravamento da dívida, advertiu, relativizando a importância dos feriados desta semana por "ocorrem todos os anos".
Rui Constantino, outro dos economistas ouvidos pela Lusa, admitiu que no actual ciclo económico os períodos de descanso podem ser usados pelas empresas como instrumentos de gestão de pessoal.
Num período de redução de procura, as empresas tendem a encarar os feriados como ocasiões para diminuir o número de trabalhadores ao serviço, reduzindo custos operacionais, referiu.

Sem comentários:
Enviar um comentário