O investidor norte-americano Bernard Madoff , que se declarou culpado por um mega-esquema de fraude em pirâmide envolvendo investidores de todo o mundo, incluindo Portugal, conhece amanhã a sua sentença, arriscando-se a uma pena de 150 anos de prisão.
No total, a burla do antigo presidente do Nasdaq, com 71 anos, deverá ascender a 65 mil milhões de dólares (cerca de 46 mil milhões de euros), estimando-se perdas em Portugal na ordem dos 100 milhões de euros.
Entre os clientes afectados contam-se, por exemplo, os participantes nalguns fundos geridos pelo BES e pelo Santander Totta, para além de outros investidores.
A operação montada por Madoff - que durou mais de duas décadas e tinha cerca de 13.500 investidores individuais - consistia num esquema piramidal em que os compromissos financeiros relativos aos investidores mais antigos eram satisfeitos com o dinheiro que conseguia angariar junto dos novos clientes.
No círculo da alta sociedade norte-americana em que se movimentava, Madoff atraía grandes investidores, exigindo-lhes milhões de dólares no início, mas prometendo-lhes taxas de juro que nalguns casos chegavam aos 40 por cento, mas na verdade, o dinheiro não era investido em coisa alguma.
Descoberto pelas autoridades a 11 de Dezembro de 2008, Madoff declarou-se culpado de 11 acusações em Março deste ano, incluindo fraude, branqueamento de dinheiro e roubo, tendo o juiz do tribunal de Nova Iorque que o está a julgar decretado nesse dia a sua detenção preventiva.
"Estou profundamente arrependido e envergonhado", foi a frase ouvida pelo juiz Denny Chin, naquela que foi a primeira vez que Madoff falou publicamente sobre o caso.
O investidor disse ainda em tribunal que dias antes da sua detenção tinha revelado à sua família e alguns colaboradores mais próximos de que a empresa que dirigia era apenas uma fachada de uma outra sem futuro, que funcionava no 17º andar do edifício Lipstick, onde dois andares acima funcionava a empresa "oficial" de Madoff.
O ministério público dos EUA pediu 150 anos de prisão para aquele que era considerado um "guru" das finanças.
Desde que este escândalo de Wall Street rebentou, várias histórias relacionadas com a sua vida privada e pessoal foram surgindo, até porque muitos dos investidores apanhados pela burla Madoff eram na verdade seus amigos pessoais, alguns deles durante décadas.
A revista norte-americana Vanity Fair, por exemplo, publicou diversos depoimentos, entre os quais o da secretária pessoal de Bernard Madoff, que durante 25 anos diz ter confiado no investidor "como um chefe generoso e atencioso".
Eleanor Squillari garante que "não fazia ideia daquilo que se passava dois andares abaixo do seu gabinete", mas afirma estar convencida de que Madoff terá preparado "meticulosamente" a sua própria detenção.
Squillari afirma que os comportamentos seu antigo chefe mudaram nas semanas antes da detenção e até mesmo a sua voz, "sempre tão forte", era já "fraca, quase imperceptível".

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