Todos os dias ligam para este serviço de apoio telefónico da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) cerca de doze doentes, familiares ou amigos a pedir informações sobre a doença, efeitos secundários dos tratamentos, serviços de apoio ou apenas à procura de uma voz amiga.
Do outro lado da linha (808 255 255) encontram psicólogos e enfermeiros que, além de darem apoio psicológico, esclarecem os doentes sobre a doença, tratamentos, serviços de apoio e outras informações.
Há mais de um ano que a psicóloga Catarina Marques ouve os receios, as dúvidas e as angústias destes doentes e familiares. Muitas vezes, o telefone toca e as pessoas nem conseguem falar devido ao seu estado de ansiedade.
«Há pessoas que nos ligam muito angustiadas»porque descobriram que tinham cancro, disse à Lusa Catarina Marques, enquanto desligava a chamada de uma mulher a pedir ajuda para um familiar que teve de interromper os tratamentos de quimioterapia.
Neste caso, a psicóloga aconselhou que o melhor era a familiar saber junto dos médicos o estado de saúde do doente para saber o que esperar em termos de evolução da doença e como agir para melhorar a sua qualidade de vida.
O diagnóstico de cancro deixa o doente e os familiares«completamente desorientados. É um ruir das esperanças, da vida e é preciso sensibilizá-los para que o cancro numa fase precoce é quase completamente curável (80 a 90 por cento)», adiantou à Lusa o presidente da LPCC, Vítor Veloso.
Para estas pessoas, a Linha Cancro assume um papel primordial. «É extremamente importante para a LPCC proporcionar a toda a população portuguesa este serviço», o que nem sempre acontece por falta de informação.
A maioria das chamadas é de Lisboa (43 por cento) e do Porto (19 por cento), havendo regiões do país, nomeadamente Açores e Madeira, onde a linha não tem representatividade, segundo dados da LPCC.
Para estender este serviço a todos os distritos de Portugal, a LPCC decidiu fazer o relançamento da Linha Cancro.
«De vez em quando, a Linha precisa de ser refrescada e neste momento vamos fazer o seu relançamento no sentido de dar maior visibilidade a todos os doentes oncológicos e a toda a população que quiser ter mais e melhores informações sobre cancro, saber dos direitos, das obrigações e os centros mais adequados», salientou o presidente da Liga.
O alargamento do serviço na Internet (através do e-mail linhacancro@ligacontracancro.pt) pode ser um meio de chegar aos doentes que têm dificuldade de falar sobre a doença.
«Há doentes que nem a voz querem dar, mas escrevendo são capaz de dizer o que querem sem qualquer tipo de fragilidade ou de medo», frisou Vítor Veloso.
Apesar de não ser um trabalho fácil, Catarina Marques disse que é «muito gratificante» poder confortar estas pessoas. Algumas delas vão dando a conhecer aos técnicos a evolução do seu estado de saúde.
«As pessoas ligam a dizer como correram os tratamentos, a desabafar e a agradecer o apoio que lhes demos e isso é muito gratificante», comentou a psicóloga, com um sorriso.
Os casos mais marcantes para Catarina Marques são os doentes em fase terminal e que precisam de cuidados paliativos. «Uma das nossas maiores frustrações é o facto de haver poucos recursos para apoio concreto a estes doentes», sublinhou.
Sobre esta situação, Vítor Veloso acrescentou que«ainda há muito a fazer: a nossa rede ainda não tem capacidade suficiente para acolher todos os casos que necessitam desse apoio».

Sem comentários:
Enviar um comentário