Sempre ouvimos dizer que ter contactos ajuda em qualquer negócio. Essa afirmação não deixa de ser válida, mas apenas no que diz respeito à expressão "ajuda".
Prova disso, são empresas que já estão estabelecidas no mercado há vários anos e que, para diversificar ou inovar, acabam por abrir novos negócios na sua empresa, aproveitando a sinergia que têm com os actuais clientes, no seu negócio tradicional, facilitando desta forma a entrada do novo produto no mercado.
Uma das metas mais difíceis num novo negócio, é conseguir encontrar o volume de clientes necessário para assegurar a boa rendibilidade da empresa. Este ponto agrava-se caso não conheçamos bem o mercado, ou não sejamos da área comercial. Imagine um bom cientista que desenvolve a sua solução, de forma extraordinária, mas que não tem a capacidade comercial para vender o seu produto e/ou os contactos que o fazem chegar junto do cliente.
Este pode ser um factor mortal para uma empresa jovem. Bater à porta fria, sem conhecer ninguém, normalmente tem vários inconvenientes. O primeiro, está em que, ao não nos conhecerem, dificilmente nos atendem, e o segundo é que muitas vezes é difícil simplesmente encontrar um contacto, como seja um email para enviar uma apresentação de produto.
| Dicas 1. Se não tem contactos, junte-se a quem os tem. Faça parcerias. O custo que terá com esse parceiro será mais baixo quando comparado com o custo de entrada solitária num cliente. 2. O produto tem de vencer, caso contrário os contactos não lhe servirão de muito. Teste, primeiro, os seus novos produtos num cliente da sua confiança. |
Às vezes ,penso, vou contactar aquelas que são as marcas mais comuns, ou seja, aquelas de que nos servimos todos os dias, como os fornecedores de electricidade, de comunicações, de bebidas, e surpreendo-me porque são precisamente estas grandes marcas que não deixam qualquer pista a um contacto de escritórios. Apenas informam pelos seus "sites", o número do "call center", e "emails" para atendimento ao cliente.
A pergunta que faço é: como é que um empreendedor consegue chegar às grandes marcas, se não tem qualquer contacto, ou se não conhece alguém que trabalhe nessa empresa?
Em Portugal, este fenómeno ainda assim não é tão grave pela dimensão que temos, mas, por exemplo, nos EUA, é como procurar uma agulha no palheiro. Penso que as grandes empresas se fecham bastante ao contacto com possíveis parceiros o que é prejudicial para elas próprias e para aqueles que querem entrar no mercado.
Mas também tenho visto que isto não se passa só comigo, mas também com empresas já estabelecidas no mercado e que, por vezes, também não sabem com quem falar para alcançar determinado cliente. Esta nuvem de desconhecimento é precisamente o que origina a criação das empresas intermediárias, que, às vezes, a única coisa que fazem é estabelecer a ligação entre empresa e cliente final.
Voltando ao princípio, e depois de dados os exemplos, confirmamos que ter contactos pode acelerar a nossa entrada no mercado, contudo, o contacto não é tudo. Se chegamos à empresa mas não temos um bom produto, o contacto acaba por não servir de muito.
Temos de saber se o nosso produto é apetecível no mercado, até porque não devemos andar a desperdiçar contactos, para apresentar produtos, sem que estes tenham qualquer interesse, e é precisamente neste ponto, que muitas vezes falhamos, não porque o nosso produto não seja bom, mas porque pode não ter mostrado o retorno esperado pelo cliente.
Este é um dilema que temos de saber enfrentar nos nossos clientes, especialmente quando estamos no princípio da nossa actividade. Uma das coisas que tenho visto serem mais difíceis de se acertar, é o produto e o modelo de negócio. Quando acertamos em ambos, temos o sucesso garantido, porque os clientes vão aparecendo. Aqui, sugiro que testem os novos produtos num cliente de confiança, antes de "queimarem" o resto dos contactos.
Em resumo, eu diria que os contactos abrem metade da porta e aceleram a possível venda. No entanto, a qualidade do produto terá de abrir o resto da porta. Não creio que se venda apenas com base nos contactos, nem apenas tendo um bom produto. Uma combinação dos dois é necessária para gerar receitas e garantir a nossa existência a longo prazo.

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