A quem se destinam as primeiras doses da vacina?
Os profissionais de saúde considerados imprescindíveis e dificilmente substituíveis estão no início da lista. O mesmo acontece com as grávidas no segundo e terceiro trimestre de gestação com doenças graves. Finalmente, outros profissionais essenciais para o normal funcionamento da sociedade, nos quais se incluem os titulares de órgãos de soberania - como o Presidente e primeiro-ministro - vão levar as primeiras doses.
O que é preciso fazer para obter a vacina?
As grávidas com doença grave devem falar com o médico assistente, que lhes dará uma declaração sob compromisso de honra, a apresentar no centro de saúde da respectiva área de residência. Esta conversa com o médico é aconselhável, mas o Boletim de Saúde da Grávida chega para obter a vacina, desde que conste a informação sobre a doença. Os profissionais de sectores fundamentais também devem obter uma declaração da Direcção-Geral da Saúde ou da Administração Regional de Saúde, validada pela entidade empregadora. Com este documento, recebem a vacina no centro de saúde, tal como as grávidas. Os profissionais de saúde podem ser vacinados no posto de trabalho, assim como Cavaco Silva ou José Sócrates.
Qual a melhor altura para ir ao centro de saúde?
A partir de segunda-feira, quem está incluído nos grupos prioritários pode telefonar para o centro de saúde da área de residência e pedir a marcação do dia e da hora em que pode tomar a vacina. É possível que alguns centros não tenham a vacina disponível, mas terão de encaminhar os interessados para outras unidades.
As pessoas incluídas nos grupos prioritários são obrigadas a tomar a vacina?
Não. As vacinas não são obrigatórias, nem mesmo as do Plano Nacional de Vacinação, mas a imunização contra o H1N1 é recomendado pelas autoridades de saúde.
Porque é que serão vacinadas três milhões de pessoas e não toda a população?
A campanha de vacinação tem como objectivo reduzir a ocorrência de casos graves e mortes. A vacinação, que se destina a mais de 30% da população, visa proteger as pessoas mais vulneráveis, reduzindo a mortalidade, mas também garantir a continuidade dos serviços fundamentais ao funcionamento da sociedade. Pretende ainda reduzir a transmissão e a velocidade de propagação da doença. A Direcção-Geral da Saúde considera que para atingir estas finalidades três milhões de vacinados são suficientes.
Quem não está incluído nos grupos prioritários poderá, mesmo assim, vir a ser vacinado?
Em princípio não, uma vez que a vacina não estará à venda nas farmácias. No entanto, caso haja uma alteração da recomendação da Agência Europeia de Medicamentos (EMEA), passando a ser necessária apenas uma dose da vacina para a obtenção de uma imunização total em vez das actuais duas, vão sobrar vacinas e a campanha será alargada a outros grupos.
Quais são os grupos prioritários para a vacinação?
Além dos destinatários da primeira remessa, fazem parte do primeiro grupo todas as grávidas no segundo e terceiro trimestre de gestação, doentes com asma moderada a grave, doentes com obesidade mórbida, pessoas com doença respiratória crónica desde a infância, alguns imunodeprimidos e pessoas que vivam com crianças com menos de seis meses com doença grave. No segundo grupo incluem-se diabéticos tipo 1, pessoas com doença pulmonar obstrutiva crónica, doença cardiovascular, hepática e renal. O último grupo abrange outros doentes crónicos, as crianças com menos de 12 anos, dadores regulares de sangue e estudantes de medicina e enfermagem.
Quando serão vacinados os grupos prioritários?
O Ministério da Saúde conta administrar cerca de um milhão de doses até ao fim deste ano, o que equivale a 500 mil vacinados (todas as pessoas do primeiro grupo e 160 mil do segundo). As vacinas, que deverão chegar quinzenalmente num número cada vez maior, serão dadas consoante a capacidade de fornecimento da farmacêutica, e não existe uma previsão de um calendário para cada grupo. Haverá alturas em que pessoas de dois grupos diferentes serão vacinadas em simultâneo, tendo em conta as três semanas de intervalo entre as duas doses da vacina.
Quais são os principais efeitos secundários provocados pela vacina?
Febre, dores de cabeça, fadiga, inchaço e dor no local da injecção, dores musculares. Também reacções leves semelhantes à própria gripe (como arrepios de frio) e gânglios inchados
Quem já esteve doente com gripe A, tendo disso confirmação laboratorial, e está nos grupos-alvo deve levar a vacina?
Não, uma vez que já existe imunidade natural contra a mesma estirpe do vírus.
Se o vírus mutar, a vacina continua a ser eficaz?
O nível de protecção não será tão alto, mas mantém-se alguma imunidade, uma vez que o vírus não se altera totalmente, conservando algumas características iniciais. Esta subsistência de características facilita o combate à doença.
A vacina é gratuita?
Sim, tal como as vacinas do Plano Nacional de Vacinação.
Texto publicado na edição do Expresso de 24 de Outubro de 2009

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