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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

É na atitude nacional que há obstáculos à inovação

Director-geral da Cotec, em entrevista à Agência Financeira, fala do futuro das empresas e explica a importância da aposta na inovação

Inseridas num dos mercados mais caros do mundo - a Zona Euro - as empresas portuguesas têm mesmo de apostar na inovação para se imporem. O objectivo está definido, mas os caminhos para lá chegar têm muitos obstáculos. Daniel Bessa, director-geral da COTEC (Associação Empresarial para a Inovação), em entrevista à Agência Financeira, enumera alguns entraves à inovação, defende vários apoios às PME e ainda fala da Qimonda.

No dia em que se realiza o Seminário «Inovação em Sectores Tradicionais», organizado pelo Gabinete do Coordenador Nacional da Estratégia de Lisboa e do Plano Tecnológico em parceria com a COTEC, Daniel Bessa sublinha que é na inovação que as empresas vão encontrar futuro. Sejam elas grandes ou pequenas.

Para além da falta geral de fundos e de capital das empresas portuguesas, o director-geral da Cotec encontra outros entraves à inovação: «Há em Portugal problemas sérios de cultura e de atitude. Os portugueses lidam muito mal com o longo prazo, querem o lucro rápido. A generalidade dos nossos empresários tem um sentido de urgência muito grande, uma ausência de sentido de longo prazo. E também pouca capacidade de encaixar risco».

Apoiar as PME

Com vista à promoção de uma cultura e práticas de inovação, Daniel Bessa defende que o Estado pode apoiar as empresas, principalmente as PME, porque no futuro é destas empresas que se vai falar. Este economista considera que se deve «isentar de impostos os lucros investidos» e apoia a diferenciação (a nível de impostos) para as empresas exportadoras, sem cair no proteccionismo.

Mas há mais apoios possíveis: «Acho que se deve intensificar as soluções de capital de risco público. Ter o Estado como accionista dá mais segurança às empresas». Daniel Bessa é também um grande defensor da intervenção do Estado nos seguros de crédito, razão pela qual entrou «nessa guerra», as empresas portuguesas exportadoras estavam a ficar sem soluções, diz.

«Sei que é um risco, mas também não podemos partir sempre do princípio que os clientes estrangeiros não vão pagar. O Estado comprar a maioria do capital da Cosec (Companhia de Seguros de Crédito)é um bom caminho. As empresas precisam de ter seguros de crédito para poderem exportar. Mas logo que as coisas normalizem o Estado deve sair», explicou à Agência Financeira.

As empresas que devem ser apoiadas

A intervenção do Estado, no entanto, tem de ser feita com conta, peso e medida, sublinha o também ex-director da Escola de Gestão do Porto. Mas então que tipo de empresas devem ter esse apoio, principalmente numa altura de crise, em que muitas empresas estão aflitas? Daniel Bessa nem hesita: «As que estavam bem, mas sofreram com a queda do consumo, e voltarão a ficar bem quando a crise passar».

Quando o problema é estrutural e de competitividade, continua o economista, e as empresas aproveitam a crise para prolongar «situações que são irremediáveis», Daniel Bessa diz que «preferia pagar subsídios de desemprego, mais elevados, se necessário, do que manter simulacros de empresas».

«Costumo dizer que fazer aumentos de capital ou entradas de capital público para pagar salários a pessoas que estão paradas, que não produzem coisa nenhuma, porque não vendem coisa nenhuma, é fraudulento», conclui.

Salvar a Qimonda?

E a Qimonda, vale a pena salvar? «As pessoas conheciam por dentro o problema da Qimonda Portugal, que era de falta de competitividade dentro do próprio grupo. Havia uma grande pressão há muito tempo para reduzir a actividade em Portugal, para não se fazer investimentos. A unidade portuguesa estava ameaçada. Julgo que o problema da Qimonda não tem a ver com a crise. Já vem de trás. A crise acelerou tudo.»

Daniel Bessa percebe os esforços que se têm feito para salvar postos de trabalho, e sabe que há vários interessados nas instalações e equipamentos industriais, mas não tem dúvidas: «Quando for preciso substituir equipamentos vão todos embora».

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