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quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Função Pública: salários não devem aumentar em 2010

Quatro especialistas dizem que país não suporta mexida nos saláriosO «não» surge a quatro vozes e em uníssono. Medina Carreira, Silva Lopes, César da Neves e Miguel Beleza são unânimes ao afirmar que os salários da Função Pública não devem sofrer aumentos em 2010.

José Silva Lopes, ex-governador do Banco de Portugal, retratou o aumento salarial como uma «fábrica de desemprego», uma imagem arrasadora justificada pelos quatro economistas com a crise económica que o país atravessa.

«Estamos numa situação de deflação, com um problema orçamental monstruoso», disse à Agência Financeira João César das Neves.

Por isso, «não há condições para aumentar nada», resume Medina Carreira. Seja para os funcionários de cargos intermédios ou para os altos cargos. «Os altos gestores já estão governados», disse à AF o ex-responsável pela pasta das Finanças.

Face a este cenário negro, João César das Neves defende o estender do congelamento para o sector privado, embora fazendo a destrinça baseada na criação de riqueza. «O sector privado é muito variado e, por isso, deve ser analisado de acordo com a sua produtividade».

No entanto, mesmo com o congelamento dos vencimentos, o economista Miguel Beleza alertou: «Quando se fala dos aumentos para a Função Pública fala-se numa média, mas existem muitas progressões automáticas, que abrange sempre um número considerável de pessoas».

Na contra-corrente está o economista social-democrata Miguel Frasquilho. «Eu subscrevo a opinião de Vítor Constâncio que propôs um aumento até 1,5%, penso que é comportável», disse à AF, acrescentando que este valor «seria uma média e um limite» por onde devem variar os aumentos salariais consoante os cargos.

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