Sem surpresa, o Banco Central Europeu (BCE) manteve a taxa de juro de referência da região em 1 por cento, o que representa o valor mais baixo de sempre.
Esta decisão ficou em linha com as estimativas dos 52 economistas consultados pela Bloomberg. Os especialistas acreditam mesmo que o actual nível de juros será mantido até, pelo menos, meados do próximo ano.
Trichet alerta que dificuldades «ainda não acabaram»
A única conclusão que se pode retirar desta crise é que «as dificuldades ainda não acabaram», disse o presidente do Banco Central Europeu (BCE), em conferência de imprensa, após ter mantido os juros da Zona Euro em 1 por cento.
Trichet referiu que, a «incerteza» sobre o rumo das economias da Zona Euro permanece «extraordinariamente elevada».
Trichet afirmou que «temos sinais de estabilização», mas frisou que, «é preciso ter em mente que a incerteza permanece extraordinariamente elevada». «As dificuldades não acabaram», avisou. «Temos de nos manter alertados e ser prudentes», concluiu.
"Consolidação tem de ser acelerada a partir de 2011"
O presidente do BCE frisou que é “fundamental” para ancorar as perspectivas de retoma económica que os Governos da Zona Euro “coordenem” a retirada a prazo dos seus planos de estímulo e o façam de forma “convincente”. Para os mais endividados, 2011 tem de ser o ano de viragem, disse.
“Se queremos facilitar a retoma temos de consolidar a confiança e, nesse contexto, é preciso que se dêem sinais e se comunique de forma convincente que se vai caminhar no sentido do saneamento das finanças públicas”.
“A partir de 2011, os esforços de consolidação orçamental têm de ser acelerados”, disse, referindo-se em particular aos países que têm dívidas públicas mais elevadas e que se defrontam com desafios mais exigentes decorrentes do envelhecimento das respectivas populações – descrição em que se encaixa facilmente a Portugal.

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