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quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Queda de preços em Portugal desacelerou em Agosto

A inflação continuou em queda em Agosto, mês em que o respectivo índice nacional (o IPC) a apresentar uma variação homóloga de -1,3 por cento, mas em desaceleração face a Julho e Junho, quando as quedas homólogas tinham sido de -1,5 e -1,6 por cento, respectivamente.

A queda de preços face ao mês precedente atenuou-se para -0,3 por cento em Agosto, quando em Julho tinha sido de -0,5 por cento, o tal como em Agosto do ano passado, revelam os dados relativos ao mês passado hoje divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

A variação média dos últimos 12 meses, o indicador geralmente utilizado nas revisões salariais, diminuiu para 0,1 por cento, quando em Julho tinha sido de 0,5 por cento. Os preços nacionais estão em queda há seis meses, com variações homólogas mensais negativas desde Março (-0,4%).

O recuo homólogo de preços em Agosto resultou sobretudo das quedas nos produtos alimentares e, em segundo lugar, nos transportes. A queda de preços começou por ser induzida sobretudo pelos combustíveis, devido à correcção do preço do petróleo face ao pico anormal atingido no Verão do ano passado, em que esteve quase nos 150 dólares por barril.

Mas em Julho já foram os produtos alimentares e as bebidas não alcoólicas a darem o maior contributo, tal como em Agosto. Também aqui há pelo menos uma componente forte de correcção face a um pico nos mercados mundiais no ano passado. A classe de transportes (onde os combustíveis têm um peço muito forte) ter tido um valor negativo significativo, mas em queda desde Maio.

A inflação subjacente, que exclui os produtos alimentares não transformados e os energéticos, apresentou no entanto ainda uma variação homóloga positiva em Agosto, de 0,2 por cento, mas em baixa face a Julho (0,5%), e com o diferencial face à inflação geral também em baixa.

Preços caem mais que na zona euro

O índice de preços no consumidor harmonizado (IHPC), calculado em Portugal para efeitos de comparação entre os países da UE, teve um comportamento semelhante ao IPC, mas com uma queda homóloga de apenas 1,2 por cento, desacelerando também face à queda de 1,4 por cento de Julho, mas sendo substancialmente inferior ao valor de médio de -0,2 por cento estimado pelo Eurostat.

O valor hoje conhecido para a inflação portuguesa em Agosto é no entanto consistente com a expectativa do Banco Central Europeu (BCE) para a evolução dos preços na Europa, para a qual considera adequado o actual valor de um por cento da sua principal taxa directora.

O BCE tem como missão zelar que os preços na Europa se mantenham próximos mas abaixo de dois por cento, mas considera que a actual queda é transitória, devido à correcção de picos anormais, e que é provável que os preços regressem a terreno positivo antes do fim do ano.

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