Foi uma sessão bastante negativa na bolsa de Lisboa, com o índice PSI20 a cair 1,63% para os 7.650,56 pontos e com vários sectores em destaque pela negativa.
O das telecomunicações foi um deles, por causa da coima milionária aplicada pela Autoridade da Concorrência à PT e Zon, por abuso de posição dominante no mercado de acesso à banda larga.
No caso da Zon, que apenas terá de pagar 7,2 milhões de euros, a queda foi menos significativa, de 0,5% para 4,09 euros, mas no caso da PT, que terá de pagar o grosso da coima, 45 milhões de euros, o equivalente a cerca de 1% do seu valor em bolsa, as acções foram muito penalizadas e caíram 3,58% para 7,01 euros.
Banca, Sonae SGPS e EDP na enxurrada
Mas, além das telecomunicações, muitas outras empresas de peso fecharam com desvalorizações acentuadas e contribuíram para o cenário desolador. A começar pelo sector financeiro, onde o BCP desceu 2,74% para 89 cêntimos, novamente abaixo da barreira psicológica de 90 cêntimos por acção, o BES 1,95% para 4,52 euros e o BPI 1,62% para 2 euros.
Também a Sonae SGPS recuou 2,63% para 82 cêntimos e, na energia, a EDP desceu 1,27% para 2,94 euros. Neste sector, a Galp assumiu um comportamento verdadeiramente oposto, ganhou 1,12% para 10,07 euros, impulsionada pelos negócios de exploração no Brasil, cujos resultados poderão ser melhores do que inicialmente se esperava.
Construtoras caem à velocidade do TGV
Nota de destaque negativa final para a construção. As empresas do sector têm mais razões para esta queda a pique, além do pessimismo predominante no mercado. Várias delas concorreram ao novo troço do TGV, Lisboa-Poceirão, e viram os espanhóis do Grupo FCC apresentarem a proposta mais barata.
A Mota-Engil, que estava num dos consórcios, caiu 3,29% para 3,20 euros, e a Brisa, que estava no outro, recuou 3,7% para 5,98 euros. Com a Brisa estava também a Soares da Costa, construtora que não se encontra no PSI20, mas que caiu 4,43% para 1,08 euros no mercado contínuo.
A Teixeira Duarte, embora não estivesse em nenhum dos dois consórcios, caiu também 4,39% para 98 cêntimos, arrastada pelo sector e pressionada também pela queda do BCP, de quem é um dos accionistas de referência.
EUA: bolsas recuperaram mais que a economia, agora é hora de corrigir
Lá por fora, apenas Espanha registou uma queda tão elevada como Lisboa: 1,55%. De resto, as quedas foram bem mais ligeiras: o CAC francês deslizou 0,29%, o FTSE inglês 0,04% e o DAX alemão 0,14%.
Do outro lado do Atlântico, os mercados têm estado indecisos. Dados económicos negativos fizeram com que os índices entrassem em terreno negativo, embora com quedas muito ligeiras. A esses dados acrescem os alertas de vários analistas para a sobrevalorização das empresas e para a subida exagerada da bolsa nos últimos meses face à real dimensão da retoma económica, que é ainda tímida.

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