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quinta-feira, 28 de maio de 2009

Constâncio defende reforço da supervisão financeira na Europa

O governador do Banco de Portugal (BdP), Vítor Constâncio, defende a criação de uma regulamentação europeia, a criação de um Conselho Europeu do Risco Sistémico e a necessidade de coordenação entre os grandes países para diminuir os desequilíbrios. Esta última será essencial para “evitar uma outra crise” como a que se instalou um pouco por todo o mundo.

Numa conferência sobre a reforma dos mercados financeiros, Vítor Constâncio, defendeu o aumento da regulamentação, “não para intervir nas decisões de gestão, mas para evitar erros”. Essa regulamentação deveria ser igual para todos os membros da União Europeia (actualmente são 27).

O responsável considera que é necessário que os grandes países, como a China, os EUA e a Alemanha, reduzam os desequilíbrios (alguns com défices elevados outros com excedentes orçamentais) para se evitar outra crise como a que se instalou nas economias mundiais. “Os grandes desequilíbrios são uma fonte de tensão no sistema financeiro”, afirmou, acrescentando que se “não forem corrigidos podem contribuir para outra crise”.

Vítor Constâncio defende ainda que deve criar um Conselho Europeu do Risco Sistémico e acredita mesmo que esta medida estará para breve. O objectivo é o de criar um sistema de alerta prévio em caso de risco no sistema financeiro e coordenar a resposta entre as autoridades,.

O governador considera que só assim será possível evitar casos como o do Fortis, em que os três países onde o banco actua divergiram na solução a adoptar para salvar a instituição de falência.

O responsável referiu várias propostas que considera importantes para a solidez do sistema financeiro, entre as quais mais regulação nos “hedge funds”, maior exigência nos requisitos de capital, limites na alavancagem dos activos e moderação no recursos aos credit default swaps (CDS).

Sobre as agências de “rating”, Vítor Constâncio considera que “foi muito grave o que se passou”, em que estas não conseguiram prever a crise que se instalou, tendo inclusivamente emitido classificações de risco muito elevadas dias antes do início da crise do “subprime”.

“Estou surpreendido de como nada aconteceu” às agências de “ranting”, que depois de grande polémica “estão outra vez no topo”, acrescentou. “E estão por que não há alternativas. É verdade que precisamos das agências de “rating” para o funcionamento dos mercados”.

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