Mais de 2.272 mensagens de texto via telemóvel, por mês, numa média de quase 80 por dia. Apoiados pelos planos de mensagens ilimitadas oferecidos pelas operadoras AT&T Mobility e Verizon Wirelless, o número de sms recebidas e enviadas diariamente por cada adolescente nos EUA está a disparar.
"Eles (os adolescentes) trocam mensagens tarde da noite enquanto os seus pais estão a dormir. Fazem-no nos restaurantes e enquanto atravessam avenidas e ruas movimentadas. Trocam ainda sms durante as aulas escondendo as mãos atrás das costas (para escapar à vigilância dos professores)". Fazem-no com tanta sofreguidão a ponto de "provocar danos nos polegares", diz a jornalista americana Katie Hafner.
O fenómeno nos EUA está a preocupar psicológos e psiquiatras. O abuso de mensagens de texto através dos telemóveis pode provocar ansiedade, distracção nos estudos, depressão, stress e insónias nos "viciados" do sms.
Os últimos dados disponíveis referentes aos sms a circular nos EUA entre teenagers é tema de uma reportagem publicada na edição online de hoje do jornal 'The New York Times' .
Martin Joffe, um pediatra de Greenbrae, Califórnia, questionou vários estudantes em duas escolas secundárias locais e constatou que eles tinham por rotina enviar centenas de sms diariamente.
O fenómeno é muito recente para já existirem dados conclusivos a respeito dos danos para a saúde física e mental. Mas os investigadores são unânimes em afirmar que eles existem.
Peter W. Johnson, professor de ciências para o ambiente e saúde no trabalho na Universidade de Washington, diz que ainda é cedo para apontar todas as consequências. Mas uma coisa é certa: "com base na nossa experiência com pessoas que utilizam habitualmente o computador como instrumento de trabalho, sabemos que o uso repetitivo das extremidades pode provocar distúrbios musculares. Isso nos faz pensar que o abuso de sms pode vir a provocar, certamente, danos permanentes ou temporários nos polegares".
Os pais americanos, eles próprios dependentes dos telemóveis, têm a quota parte de culpa. Alertados pelos médicos, alguns já estão a tomar algumas medidas para inverter essa situação. Tais como, confiscar os telemóveis aos filhos ou limitar o número de mensagens de texto a 5.000 por mês, proibindo os sms entre 6h da manhã e as 21h durante a semana.

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