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quarta-feira, 15 de abril de 2009

Economia: "Previsões não podiam ser mais negativas"

O Presidente da República, Cavaco Silva, considerou hoje que as previsões do Banco de Portugal "não podiam ser mais negativas", mas reconheceu que seria "muito difícil" serem diferentes devido à dependência do exterior da economia portuguesa.

"Os números revelados pelo Banco de Portugal não podiam ser mais negativos e, por isso, todos nós estamos preocupados", disse o Chefe de Estado.

Aníbal Cavaco Silva falava aos jornalistas após uma visita à Universidade de Évora, local escolhido para o arranque da quinta jornada do Roteiro para a Ciência do Presidente da República, dedicada à Matemática, que decorre hoje e quinta-feira.

O Banco de Portugal reviu em baixa, na terça-feira, a previsão para a evolução da actividade económica em 2009, antecipando agora uma contracção de 3,5% no Produto Interno Bruto (PIB), bem como quebras de 14,2%o nas exportações e de 11,7% nas importações.

Questionado hoje sobre esta previsão e sobre se os números poderiam ser diferentes, o Presidente da República reconheceu ser "muito difícil" colocar tal cenário.

"Nós dependemos muito dos mercados internacionais e as exportações caíram 14%", frisou, garantindo, contudo, que "o que pode surpreender um pouco" é a "queda tão acentuada que se verificou no investimento, de 15 por cento".

"É uma queda para além de todas as expectativas", argumentou, insistindo que a economia portuguesa é "uma economia muito aberta", que depende "muito" do exterior.

Esta dependência, de acordo com Cavaco Silva, assenta no turismo, nas remessas dos emigrantes, nas exportações, nos empréstimos contraídos no estrangeiro, nos fundos estruturais que chegam da União Europeia.

"Portugal é um dos países que mais depende do exterior. Por isso, é preciso ter muito cuidado em relação à nossa credibilidade, àquilo que fazemos internamente, porque estamos a ser observados por todos aqueles que estão no estrangeiro e se interessam" pelo país, sublinhou.

Para Cavaco Silva, apesar das previsões do Banco de Portugal, o mais importante é que, em termos nacionais, se reflicta já sobre qual a posição em que o país se deve colocar para quando termine a crise internacional.

"Queremos estar na primeira linha da recuperação económica ou que a situação seja tão complicada ou ainda mais complicada do que aquela que hoje atravessamos? Porque se for assim, lamentamo-nos hoje e vamos lamentar-nos no futuro e, como povo diz, é chorar sobre leite entornado", alertou.

Neste momento, defendeu o Chefe de Estado, além de ser preciso enfrentar o "problema do desemprego", que deve ser "uma prioridade", e "olhar para aqueles que estão a ser atingidos de forma particular pela crise", é necessário ainda "colocar os olhos no futuro", ou seja, "nos factores críticos" que podem permitir ao país "estar na linha da frente da recuperação económica".

Dois desses factores críticos, afiançou o Presidente da República, são a produtividade e a competitividade, sobre os quais "é necessário actuar já hoje", para que o país possa "vencer depois", pelo que a aposta deve ser "no conhecimento", nas universidades e nas empresas.

Assim, Portugal poderá ter "mais inovação e capacidade para competir" com os outros países, afirmou, lembrando que "há muito tempo" defende a necessidade de Portugal "preparar-se para competir na cena internacional".

"Caso contrário, podemos ter crise este ano, ter crise no ano de 2010 e até depois dessa data", alertou, garantindo que o seu Roteiro para a Ciência chama, precisamente, a atenção para a importância da inovação e investigação e conhecimento científico.

Cavaco Silva escusou-se ainda a comentar os programas lançados pelo Governo para combater a crise, alegando que "compete aos analistas observá-los com todo o cuidado e verificar se dão ou não resposta aos factores críticos", e considerou também não ser o momento para falar sobre as eleições europeias, marcadas para 07 de Junho.

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