O presidente da Associação Nacional de Farmácias , João Cordeiro, anunciou hoje a suspensão da campanha de substituição de medicamentos de marca por genéricos mais baratos sem autorização do médico.
Em conferência de imprensa, o responsável adiantou no entanto que os doentes vão continuar a ser informados do valor que poupariam se esta substituição fosse feita.
Este recuo da ANF deve-se, segundo o seu presidente, ao anúncio da ministra da Saúde, Ana Jorge, que terça-feira afirmou que iriam ser recusadas as receitas médicas alteradas nas farmácias sem a autorização do médico.
Esta recusa significa que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) não pagará às farmácias o valor da comparticipação do Estado nos medicamentos vendidos.
Uma vez que o Ministério da Saúde é "o principal cliente das farmácias, representando 80% das suas compras", de acordo com João Cordeiro, a iniciativa da ANF é hoje suspensa, nomeadamente a substituição dos medicamentos por genéricos, medicamentos com a mesma substância activa, mas substancialmente mais baratos.
"As farmácias não têm condições económicas para continuar a suportar uma campanha que - embora do maior interesse para os doentes, sobretudo os mais carenciados e os idosos - deixou de ser apoiada pelo Ministério da Saúde", acrescentou.
O recuo acontece porque "a senhora ministra prefere comparticipar medicamentos de marca mais caros e rejeita comparticipar medicamentos genéricos mais baratos", disse o presidente da ANF.
"Em meia dúzia de dias conseguimos obter mais de 200 mil euros de poupança para os doentes e para o SNS": 112 mil euros para os doentes e 93 mil euros para o SNS", disse.
A ANF estima que mais de 70% das farmácias associadas aderiram à iniciativa, denominada DCI-2009.
João Cordeiro adiantou que "as farmácias vão continuar a informar os doentes da possibilidade de optarem por medicamentos genéricos mais baratos" e anunciou o lançamento de uma petição "a ser subscrita pelos doentes que o entenderem com o objectivo de pedir ao Ministério da Saúde que lhes conceda o direito de poderem optar pelos medicamentos genéricos mais baratos".

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