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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Mais de metade das empresas portuguesas está com dificuldades em aceder ao crédito

Num inquérito realizado a 503 empresas, a Associação Industrial Portuguesa (AIP) concluiu que mais de metade do tecido empresarial português - 53 por cento - está com dificuldades em aceder ao crédito, sendo que a alteração mais referida pelas empresas (86 por cento) é a do aumento dos custos e spreads.

De acordo com o inquérito são as “micro” empresas que revelam mais dificuldades de acesso ao crédito – 59 por cento -, já as “grandes” empresas são as que sentem menos dificuldades - 44 por cento.

Os resultados mostram ainda que cerca de 39 por cento das empresas consideram que a sua situação financeira é “má ou muito má”, e são as microempresas que mais contribuem para esta média, com 52 por cento a responder afirmativamente. Já as “grandes” empresas são as que parecem menos sofrer com a crise, apenas 15 por cento afirmam estar a atravessar uma “má ou muito má” situação, menos de metade das que dizem ter uma situação “boa ou muito boa” (34 por cento).

Os números mostram uma deterioração na avaliação que as empresas fazem da sua situação financeira. Em relação ao inquérito feito em Junho de 2008, o número de empresas que diz ter sentido um agravamento da sua situação cresceu 19 por cento.

Durante a conferência de imprensa, onde foram apresentados os resultados do inquérito ao crédito, também foi dito que nem todas as empresas podem aceder ao crédito. De um universo de 236 mil empresas, apenas 26 mil tiveram acesso e as que mais precisam são as que mais obstáculos encontram pois não preenchem os requisitos. A situação afecta, sobretudo, as microempresas: cerca de 150 mil não conseguem aceder às linhas de crédito recentemente anunciadas pelo Governo, porque como estão em dificuldades, os bancos não lhes facilitam o acesso ao financiamento.

O presidente da AIP, Jorge Rocha de Matos, disse que vai apresentar um conjunto de medidas na próxima semana e repetiu várias vezes que o mais importante neste momento é a consolidação do passivo bancário das empresas, o que permitirá às empresas em maior dificuldade minimizarem o risco de incumprimento e passarem a ter mais meios, visto que a consolidação pressupõe que o pagamento da dívida seja diluído por mais tempo.

AIP denunciou situaçãoes abusivas na banca

O vice-presidente da Associação Industrial Portuguesa, José Eduardo Carvalho, denunciou situações na banca que colocam em risco a viabilidade das empresas. Os casos mais “abusivos" foram identificados em Santarém e em Évora, onde "há constantemente reduções de plafonds de crédito, quando o crédito ainda não estava esgotado” e onde as empresas locais são "sujeitas a agravamentos nas taxas aplicadas às operações de desconto de letras comerciais, que balançam entre os 18,5 e os 20,5 por cento nas zonas citadas", referiu José Eduardo Carvalho.

O presidente da AIP, Jorge Rocha de Matos, comentou esta situação dizendo que "estas operações bancárias abusivas têm de ser revistas e são inaceitáveis porque criam problemas de incumprimento nas empresas, inviabilizando a actividade empresarial".

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